Rio Summit: empreendedores que inspiram mudanças

Lindália Sofia, Natalie Witte e Leonardo Toco: do Juntos pelo Rio nasceu o Hacking.Rio

O que é preciso para transformar o Rio de Janeiro em uma cidade inteligente e inclusiva? O Rio Summit do Hacking.Rio recebeu, nos dias 27, 28 e 29 de julho, mais de 100 palestrantes de diversas áreas do mercado que dividiram experiências, ideias, projetos e reuniram suas esperanças para transformar o Rio em uma cidade melhor. A conversa foi longa e um pontapé muito importante para essas discussões voltarem.

“Eu sou apaixonada pelo Rio de Janeiro. No Hacking.Rio é onde nascem os fortes. A gente precisa se reunir para encontrar as soluções – que muitas das vezes são simples. Foi aí que nos reunimos e começamos esse movimento”, disse Lindália Sofia, idealizadora do evento.

VAMOS DECOLAR

Com a abertura de dr. Ozires Silva, 87 anos, fundador da Embraer e ex-ministro, o ciclo de palestras iniciou falando sobre futuro. “Queria convidar a cada um a pensar: como vai ser o Rio de Janeiro em 2030? Que oportunidades nossos filhos terão? Escrevi o livro Decolagem de um Sonho, 30 anos depois da decolagem do nosso primeiro vôo, e aqui estamos, no Hacking.Rio. Não poderia imaginar que teríamos tanta gente no auditório. Mas, olha, não esperem que vocês vão ter algo do futuro sem ter que construir”, avisou.

CHEGOU A TUBARÃO

A Shark Tank e Co-Founder da G2 Capital Camila Farani também esteve no primeiro dia para contar a sua história e conversar com a plateia.  “A gente precisa de mais incentivo. Não só Rio, mas no Brasil. Existem modelos de incentivo e eventos como esse são de extrema importância. Quero ver eventos cada vez mais como esse com mapeamento de problemas e soluções”, disse.

UM TÉCNICO DESSES, BICHO…

Após uma palestra inspiradora, Bernardinho falou sobre o Hacking.Rio: “Acho que o Rio de Janeiro precisava de algo assim, com essa magnitude. Juntar pessoas que fazem e acreditam. Uma grande rede de transformação. Unir a garotada no hackathon para buscar soluções e criar coisas que mudem a cidade, além de empresários, empreendedores e cabeças pensantes. É bom ver as pessoas de mão dadas por uma causa, a causa Rio de Janeiro. O Hacking.Rio é uma demonstração de como se faz um evento de sucesso, de como tudo é possível. Sensacional!”.

INSPIRAÇÃO COM A INDÚSTRIA CRIATIVA

O painel “Rio de Janeiro a Janeiro: a indústria criativa e a cultura gerando oportunidades pra todos” reuniu grandes nomes do mercado que discutiram o futuro do audiovisual.

Christian de Castro, Diretor-Presidente na Ancine: “A gente tem o capital humano muito rico do ponto de vista audiovisual e o desafio é procurar a iniciativa privada e a academia trazendo essa turma que vem das favelas como muito criativa para dentro do jogo. O fato de ter um Hacking.Rio para pensar nessas saídas já é uma grande oportunidade. A economia criativa com a tecnologia deve se tornar mais forte na nossa cultura.”

João Mesquita, CEO Globo Play – Grupo Globo. “Ninguém é mais carioca do que a Globo, está aqui e leva o Rio para todos os lados”, disse.

Daniel Conti, Executivo de mídia e entretenimento ex-CEO VICE/Turner/NET/Globosat, “Vejo um cenário potencial carioca maior na produção audiovisual, mas é preciso haver ações de comunicação e marketing do Rio para recriar essa autoconfiança do carioca”, afirmou.

TAMBÉM TEVE PITCH

Um pitch inspirador da empreendedora Aline Fróes da Vai na Web – Diretora Executiva 1sTI- Deep Tech | Shared Value e idealizadora do Startupin Favela emocionou a plateia.

“A nossa missão é aproximar as tecnologias das realidades sociais. Quando estava criando a minha startup pensei: por que o Brasil tem tanta tecnologia e ainda tem tantas mazelas? Estamos colocando a nossa tecnologia em projetos que são superficiais. Se eu puder deixar uma mensagem é que compartilhar valor importa, valores sociais e humanos. E quando colocamos à frente dos negócios, naturalmente os valores econômicos seguem eles.”

MULHERES NO COMANDO

No segundo dia, o destaque foi Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, que arrancou lágrimas e aplausos de pé da plateia que pode ouvir uma mulher forte que ajuda outras mulheres através do trabalho. “Por que mulheres? Antes, eu não percebia que sofria discriminação até me tornar uma empreendedora”, disse a palestrante.

Ana trouxe números estarrecedores sobre a violência contra mulher e mostrou como o assunto é urgente. Segundo as estatísticas apresentadas pela palestrante, nos últimos 10 anos, a violência contra a mulher branca caiu 10%. Porém, quando se fala da mulher negra, os números são diferentes. “Nesses mesmos 10 anos, a violência contra a mulher negra aumentou 55%. É arrepiante e não podemos nos conformar com isso! Esses números mostram como elas estão em situação de vulnerabilidade”.

Ela também esclarece sobre o papel da mulher na economia. “Falar de feminismo não é mimimi, é falar de economia também porque são as mulheres que influenciam 80% na hora da compra”. E brinca sobre os diferentes entendimentos que homens têm sobre o feminismo. “Nós só queremos igualdade com o feminismo. Já pensou se quiséssemos vingança? Vocês estavam ferrados.”

UM GRINGO NA PRAIA

Neste segundo dia, também tivemos a presença do gringo Greg Stevens, fundador e diretor da TechBridge, projeto sobre cidades inteligentes, que usou todo seu português com sotaque carioca para falar no painel “Investimentos Globais em cidades mais que inteligentes: o que precisamos fazer para o Rio se transformar em uma smartcity até 2020?”. Para ele, é preciso repensar o Rio com novo olhar. “Os mercados emergentes foram os principais protagonistas dessa transformação para as megacidades, porque 95% da expansão urbana nas próximas décadas ocorreram nos países em desenvolvimento e nos mercados emergentes.”

A ECONOMIA MUDOU

No terceiro dia, os ativadores do Hackathon receberam diversos nomes, como o Fundador e CEO Banco Maré Alexander Albuquerque, no painel Finanças e Seguros, que falou sobre a sua causa. “Nossa causa é maior do que nós mesmos. Muita gente desistiu dos problemas da Maré, mas nós conseguimos ver como podemos mudar. Esse é o motivo da nossa causa. Nossa equipe é formada por pessoas que moram na Maré. Esperamos que mais pessoas usem tecnologia para resolver problemas de fato do Rio de Janeiro e do Brasil”, disse.

A FORMA DE FAZER TURISMO TAMBÉM!

Pere Muñoz Perrugoria, Director del Laboratório de Cultura Y Turismo de la Fundaciòn Barcelona Media, também esteve no palco. “A realidade do Brasil pode mudar! Há seis anos, ninguém acreditava no Porto Maravilha. O Rio pode ser a cabeça dessa mudança que o Brasil precisa e todos os países”, disse.

Sobre a exploração do turismo como negócio forte do nosso país e da nossa cidade, ele chamou a atenção para fazer do turista um porta-voz do que ele quer ver aqui. “Temos que ter um turista mais crítico. Mas como? Tendo mais plataformas, conteúdo, visualização virtual. As pessoas já não acreditam mais na publicidade tradicional. Usam o smartphone para planejar a viagem! Hoje ninguém vende camas, vende experiências. Há muitas oportunidades para os empreendedores: conteúdo multiscreen, redes sociais, tecnologia de visualização…. Madrid, por exemplo, não vende praias, vende alegria”, disse.

E A INOVAÇÃO SE FAZ COM PESSOAS

Bernardo Carneiro, CTO da OLX, e Alfredo Soares, Head Global SMB na VTEX, falaram sobre inovação no painel Economia criativa, varejo e e-commerce, com mediação de Gustavo Mota – CEO Wedologos.

“Primeiro, contratem sempre as melhores pessoas e alinhem para que façam o que precisam e sejam motivadas. Dá para contratar bem no Rio e como tem menos competição, se você tem um lugar legal para trabalhar, o profissional vai querer ficar na sua empresa. Equipe é essencial e cada vez menos eu quero aparecer e quero que a equipe apareça”, disse Bernardo.

E MUITO MAIS…

Inteligência artificial, como funcionam as startups e podem se capacitar, diferentes formas de empreendedorismo, a condição do empresário no atual cenário carioca, os investimentos que precisam ser retomados foram alguns dos muitos assuntos abordados no Rio Summit 2018 do Hacking.Rio. E, em 2019, tem mais!

Após o Rio Summit, o palco foi tomado pelos hackers finalistas do Hackathon do Hacking.Rio.

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